A ‘moela’ do nosso tempo. Uma breve introdução à realidade com seus arames farpados.


Por Gilvaldo Quinzeiro





Há um velho ditado que diz, “fulano não tem coração, tem é moela”.  A moela é a parte superior do estômago das diversas aves cuja função é triturar os alimentos, logo, este dito é mais do que contemporâneo: substituímos o ‘mole coração’ por algo duro, e que rói um monte de coisas que já não conseguimos mais digerir!

A realidade com seus ‘muros de concretos ou arames farpados’ nos impõe ritmos, sonoridade e imagens de lascar, como se diria, em um bom linguajar nordestino!

De fato, é preciso muita atenção com o que ocorre em nossa volta. Se pensamos ainda que somos ‘pintos’ é porque nos falta pena, isto é, a realidade nos deixou em carne viva. Tudo enfim nos tritura!

Por falar em tritura, por aqui, às vésperas dos Jogos Olímpicos, todos prendem a respiração, mas não é para comemorar mais uma medalha, e sim, pelos números crescentes da violência que nos envergonha e nos assusta. Novas táticas estão sendo empregados: a do terror! No Rio de Janeiro, sede dos jogos, 9 carros foram incendiados na semana passada – apenas, pelo que nos parece, para provocar pânico nas pessoas.  A polícia tem sido chamada diariamente para atender várias ocorrências sob suspeita de bombas, tanto no Rio de Janeiro, quanto em São Paulo.

Isso sem falar nas ameaças concretas de ataques terroristas! Nestes últimos dias, a Policia Federal prendeu 11 pessoas suspeitas de preparar ataques, entre estas, um maranhense. Todos juraram fidelidade ao grupo Estado Islâmico! Haja coração!

Enquanto isso, na Europa, os atentados têm se tornado frequentes, em que pese o forte esquema de segurança e o alerta contra o terrorismo. Ontem em Munique, Alemanha, um atirador matou 9 pessoas e deixou alguns feridos. Na semana passada, também na Alemanha, um homem de posse de um machado, feriu três pessoas em um trem.  
Na França, no dia da comemoração do aniversário da “Queda da Bastilha”, 14 de julho, um ataque feito com caminhão matou ao menos 84 pessoas.

O que se pode concluir é que a ‘civilização’ está ameaçada. Os seus principais símbolos estão sendo destruídos. O lema “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”, por exemplo, nunca soou de uma forma tão indigesta como agora.

Pensadores como Paulo Freire, um dos mais importantes educadores brasileiros, estão sendo colocados na ‘fritura’. A tal escola sem partido é um ataque frontal a pedagogia do oprimido, e mais do que isso, é apertar contra a parede o bucho dos mais pobres!

Está em curso, portanto, uma ‘geração de parafusos’!

Por fim, haja moela para muita tritura!





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