Pular para o conteúdo principal

O estatuto do abraçamento, uma arma contra a violência

Gilvaldo Quinzeiro


O que não vemos na violência que nos cega de vê-la, é o que nos faz sentir “famintos” por ela! Aliás, é bom que se diga que a violência é que sustenta “um mundo” na sua fartura, enquanto, a outra parte que se arma por “necessidade” de se manter em pé, se esgoela!...

Em outras palavras, se não tratarmos das feridas abertas em nome da “civilização”, na “justificativa” de se combater a barbárie, não haverá banco de sangue em quantidade suficiente de estancar o sangue como enxurrada a ser derramado.

Pois bem, precisamos, contra a violência, instituir o “estatuto do abraçamento”, este sim, é de gente!

No tempo em que as crianças brincavam de roda, seja no terreiro de casa, seja no pátio das escolas, era também o tempo em que, quando adultas, não tinham por que razão temerem, os vizinhos!

Tais cenas, hoje, não são as mesmas que as identificamos como sendo do “atraso”?

No tempo em que se “passava fogo” para se ser compadre do outro, junto à fogueira de São João, qual a necessidade de se ter uma arma?

Hoje, o amamento das crianças é o que alimenta as mães na sua fantasia de serem bebês. E, assim, avançamos para a colheita de “avatares”, que nos acolhem naquilo que nos despedaçam!

Um abraço a todos por serem abraçados!

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A roda grande passando pela pequena

Gilvaldo Quinzeiro


No imaginário caboclo, desde a fundação de Canudos no sertão da Bahia (1893-1897), onde a seca e a fome fizeram da “fé” a enxada que escavava a solidariedade de um povo sem chão, o mito “da roda grande passando por dentro da pequena” foi sem dúvida nenhuma uma das mais engenhosas invenções da saga de Canudos.

A idéia de que uma “ roda grande passará por dentro de uma pequena,” é simplesmente assustadora e instigadora de uma reflexão. Seria esta passagem correspondente ao fim do mundo? Que roda grande é essa? Quem viverá para presenciar tal profecia?

O fato é que ainda hoje este mito sobrevive no imaginário nordestino, sobretudo no meio rural provocando apreensão e “matuteza”. Canudos ainda resistem?

Pois bem, às vésperas das eleições, o cenário montado, onde cabos eleitorais empunhando bandeiras e distribuindo “santinhos” dos candidatos, chamando atenção do povo - é de uma natureza tal que inspiraria um cordelista a escrever versos numa visão apocalíptica adver…

A FILOSOFIA CABOCLA, RISCAR O CHÃO.

Gilvaldo Quinzeiro

O caboclo quando risca o chão está pensando. Aliás, no caboclês ou no nheengatu se diz matutar. Riscar, pois, o chão com a ponta dos dedos, significa manipular com as mãos o abstrato, ou seja, pensar usando a “cabeça dos dedos”, termo bem apropriado para a filosofia cabocla. Diga-se de passagem, que a “filosofia cabocla” é única que tem explicação para tudo, do contrário o que seria o viver destes homens? “Quem não pode com a” rudia não pega no bote” - diz assertiva cabocla.
Besta é quem pensa que matuto não vive de matutar! Aliás, nas condições enfrentadas pelo caboclo, o pensamento que não corresponde à praticidade, é o mesmo que riscar o chão com o dedo para depois ter o risco apagado pelo vento, o que levou em seguida o caboclo a fazer uso de um graveto para, não obstante as intempéries continuar o seu pensar, isto é, riscando o chão.
Riscar o chão com o graveto em substituição aos dedos, não só significou apenas deixar marcas humanas mais pr…

Metáfora da natureza

A natureza....

quando ouvida no mais profundo do nosso silêncio...

nos dá ouvido

nos enraizando os sentidos... que dialoga quando se dá atenção....

nos fazendo ver além... o belo...