Pular para o conteúdo principal


“Davi com a Cabeça de Golias”. De quem?
Por Gilvaldo Quinzeiro

imagen-relacionada                                                         Crédito Wikipédia

Davi, todos nós sabemos. Trata-se de um pastor hebreu que na luta em defesa do seu povo, usando uma funda como arma, conseguiu matar o seu oponente filisteu, o gigante Golias. Mas neste texto não falaremos desta história. Não que não a consideremos importante. Pelo contrário, ela é uma das mais importantes passagens bíblicas que revela, entre outras coisas, o compromisso de Deus para com seu povo hebreu. Contudo, não é também do autor deste quadro magnifico, o pintor Caravaggio que iremos falar, mas daquilo que lhe escapou quando pintava tal obra – a própria cabeça!

Como todos nós sabemos, no quadro “Davi com a Cabeça de Golias”, Caravaggio pintou o seu autorretrato, ou seja, no lugar da cabeça de Golias o que se ver como um troféu exibido por Davi é a sua cabeça. Por que?

 Sabemos pelos historiadores de arte que isso se deveu ao fato de Caravaggio querer se redimir de um assassinato por ele cometido.  Uma explicação aceitável, diga-se de passagem. É claro, pintar era a própria alma de Caravaggio!

Mas o que eu quero aqui é trazer esta cabeça de Caravaggio, a mesma que substituiu a de Golias para os dias de hoje. Vivemos hoje uma seca de cabeça. O que em muitos despertam a fome por cabeças.  Recentemente vi a de Saddam Hussein exposta pelos seus inimigos. Assim como fizeram com a de Muammar Kataffi. O que estas cabeças têm haver com a de Caravaggio? – Nada! Mas com a de Golias talvez! ...

É aqui que Caravaggio nos parece manter a sua cabeça no lugar – não na mão de Davi! Poucos homens teriam a coragem de contemplar a sua cabeça dependurada não mão de outro. Caravaggio mais do que ninguém nos provou isso! Ao contrário, quantos homens nos dias hoje só se dão conta de suas cabeças, quando se livram das dos outros?

Que cabeça era a de Caravaggio, quando pintou a sua no lugar da de Golias? Uma pena, não conseguirmos ver a nossa também nesta mesma cena! Caravaggio que nos perdoe! Mas a sua alma era sim, uma pintura! E a sua cabeça, não a do pintou, mas a que foi por ele pintada – é igualzinha à nossa!



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A roda grande passando pela pequena

Gilvaldo Quinzeiro


No imaginário caboclo, desde a fundação de Canudos no sertão da Bahia (1893-1897), onde a seca e a fome fizeram da “fé” a enxada que escavava a solidariedade de um povo sem chão, o mito “da roda grande passando por dentro da pequena” foi sem dúvida nenhuma uma das mais engenhosas invenções da saga de Canudos.

A idéia de que uma “ roda grande passará por dentro de uma pequena,” é simplesmente assustadora e instigadora de uma reflexão. Seria esta passagem correspondente ao fim do mundo? Que roda grande é essa? Quem viverá para presenciar tal profecia?

O fato é que ainda hoje este mito sobrevive no imaginário nordestino, sobretudo no meio rural provocando apreensão e “matuteza”. Canudos ainda resistem?

Pois bem, às vésperas das eleições, o cenário montado, onde cabos eleitorais empunhando bandeiras e distribuindo “santinhos” dos candidatos, chamando atenção do povo - é de uma natureza tal que inspiraria um cordelista a escrever versos numa visão apocalíptica adver…

A FILOSOFIA CABOCLA, RISCAR O CHÃO.

Gilvaldo Quinzeiro

O caboclo quando risca o chão está pensando. Aliás, no caboclês ou no nheengatu se diz matutar. Riscar, pois, o chão com a ponta dos dedos, significa manipular com as mãos o abstrato, ou seja, pensar usando a “cabeça dos dedos”, termo bem apropriado para a filosofia cabocla. Diga-se de passagem, que a “filosofia cabocla” é única que tem explicação para tudo, do contrário o que seria o viver destes homens? “Quem não pode com a” rudia não pega no bote” - diz assertiva cabocla.
Besta é quem pensa que matuto não vive de matutar! Aliás, nas condições enfrentadas pelo caboclo, o pensamento que não corresponde à praticidade, é o mesmo que riscar o chão com o dedo para depois ter o risco apagado pelo vento, o que levou em seguida o caboclo a fazer uso de um graveto para, não obstante as intempéries continuar o seu pensar, isto é, riscando o chão.
Riscar o chão com o graveto em substituição aos dedos, não só significou apenas deixar marcas humanas mais pr…

Metáfora da natureza

A natureza....

quando ouvida no mais profundo do nosso silêncio...

nos dá ouvido

nos enraizando os sentidos... que dialoga quando se dá atenção....

nos fazendo ver além... o belo...