Pular para o conteúdo principal

Racismo no futebol. Quem atira as bananas em campo tem fome de quê?


Por Gilvaldo Quinzeiro

O esporte sempre foi visto, desde a Grécia antiga, como um elo de união entre todos os povos, culturas e torcidas. Daí o chamado “espírito olímpico ou esportivo”. Contudo, nesta segunda década do século XXI, este ideal, sobretudo no futebol, tem sido esquecido, cito de modo especial nos gramados europeus, onde reiteradas vezes têm sido registrados casos de discriminação aos atletas negros. O caso mais recente aconteceu na partida entre Barcelona X Vilarreal, ontem, domingo, dia 27, quando um torcedor atirou uma banana ao jogador Daniel Alves que, em resposta comeu a banana que lhe foi atirada.

De fato, atirar banana no campo de futebol em direção aos jogadores negros tem sido uma cena recorrente.  Isso me faz questionar o seguinte: quem atira banana no campo de futebol tem fome de quê? De sangue? Certamente!

Eu tenho fome de banana, graças a Deus!  Quisera que o mundo tivesse já resolvido outros tipos de fome. Especialmente aquelas cujo alimento é o ódio! É deste alimento que o mundo está ficando obeso!

Ao escrever este texto eu descasco e como a banana, assim como fez Daniel Alves em campo, e tantos outros na luta contra o preconceito racial.  Se se isso me faz ser um macaco que orgulho, meu branco!




Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A roda grande passando pela pequena

Gilvaldo Quinzeiro


No imaginário caboclo, desde a fundação de Canudos no sertão da Bahia (1893-1897), onde a seca e a fome fizeram da “fé” a enxada que escavava a solidariedade de um povo sem chão, o mito “da roda grande passando por dentro da pequena” foi sem dúvida nenhuma uma das mais engenhosas invenções da saga de Canudos.

A idéia de que uma “ roda grande passará por dentro de uma pequena,” é simplesmente assustadora e instigadora de uma reflexão. Seria esta passagem correspondente ao fim do mundo? Que roda grande é essa? Quem viverá para presenciar tal profecia?

O fato é que ainda hoje este mito sobrevive no imaginário nordestino, sobretudo no meio rural provocando apreensão e “matuteza”. Canudos ainda resistem?

Pois bem, às vésperas das eleições, o cenário montado, onde cabos eleitorais empunhando bandeiras e distribuindo “santinhos” dos candidatos, chamando atenção do povo - é de uma natureza tal que inspiraria um cordelista a escrever versos numa visão apocalíptica adver…

A FILOSOFIA CABOCLA, RISCAR O CHÃO.

Gilvaldo Quinzeiro

O caboclo quando risca o chão está pensando. Aliás, no caboclês ou no nheengatu se diz matutar. Riscar, pois, o chão com a ponta dos dedos, significa manipular com as mãos o abstrato, ou seja, pensar usando a “cabeça dos dedos”, termo bem apropriado para a filosofia cabocla. Diga-se de passagem, que a “filosofia cabocla” é única que tem explicação para tudo, do contrário o que seria o viver destes homens? “Quem não pode com a” rudia não pega no bote” - diz assertiva cabocla.
Besta é quem pensa que matuto não vive de matutar! Aliás, nas condições enfrentadas pelo caboclo, o pensamento que não corresponde à praticidade, é o mesmo que riscar o chão com o dedo para depois ter o risco apagado pelo vento, o que levou em seguida o caboclo a fazer uso de um graveto para, não obstante as intempéries continuar o seu pensar, isto é, riscando o chão.
Riscar o chão com o graveto em substituição aos dedos, não só significou apenas deixar marcas humanas mais pr…

Metáfora da natureza

A natureza....

quando ouvida no mais profundo do nosso silêncio...

nos dá ouvido

nos enraizando os sentidos... que dialoga quando se dá atenção....

nos fazendo ver além... o belo...