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Na fluidez das coisas, nós seus absorventes!


Por Gilvaldo Quinzeiro


Que a realidade é ‘porosa’, disso eu já estou ficando cansado de falar! Tanto que já não absorvo mais todos os falares; os pensares e os fazeres!

No meio da fluidez das coisas, da eloquência duvidosa dos espelhos e das mil e uma utilidades inteiramente dispensáveis, o que sobra para   o sujeito da contemporaneidade?  Nada, além de ser   um mero ‘absorvente’ entre as pernas bambas do tempo!

Sim, meus senhores! Somos os mais ‘baratos’ dos absorventes – fracassados na missão de conter o fluxo das coisas!

A propósito, acabo de ler uma matéria em que uma estudante inglesa de 20 anos, Emily Pankhurst, vítima da “síndrome do choque tóxico”, provocado pelo esquecimento do absorvente interno na vagina por nada mais e nada menos do que 9 dias.  O motivo, segundo ela, teria sido “o estresse ocasionados pelas provas finais da sua faculdade”.

O sujeito aqui, dele não se tem dúvida, foi acordado por afogar-se em seu próprio sangue.

Do dito aqui podemos concluir o seguinte, já não se dorme mais inteiramente consigo. Seja pelo sono que nos deixou e foi embora; seja pelos passos dos pés da cama a conter-nos dos pesadelos.

Enfim, temos sido burros de carga do nosso fracassado estilo de vida: o acumulo de bugigangas e bizarrices!

Portanto, o sujeito, enquanto absorvente, do acumular das coisas, é um objeto espantoso, tal como o coagulado sangue descartado em um jardim florido!




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