Na sede que alimenta a filosofia, vem toda a água de Tales de Mileto


Por Gilvaldo Quinzeiro



O texto que segue a abaixo não poderia ter uma fonte mais oportuna e inspiradora, do que a dos filósofos gregos, bem como a que já nos escasseia: a água! E espero com este despertar nos caros leitores, a sede do pensar!

A sede que nos abocanha mata até as salivas.  Se o mapa da seca continuar se expandindo pelo mundo, quem não abraçará o seu pote? Por precaução, o melhor é ir se excitando segurando a rudia!

De acordo com um estudo publicado na Science Advances, sexta-feira (12), mais de 4 bilhões de pessoas estão sofrendo com a escassez de água no mundo. A maioria na China e na Índia.

Quando se fala em falta d’água, nos vem logo a preocupação com a higiene. Mas, a questão é bem mais gritante, ou seja, no que a luta para sobreviver em lugares de escassez de água poderá nos transformar!

Em outras palavras, ‘o bicho’ homem, que é um estado larvário do porvir, poderá enfim se transformar no quê?

O exposto aqui nos faz não só ir pedir a ‘bênção’ a filósofo grego Tales de Mileto, para quem a água era o princípio de tudo, como nos obriga a repensar os pré-socráticos, e a sua compreensão sobre a physis!

Foi-se o tempo em que “ninguém poderia se banhar duas vezes no mesmo rio”, parafraseando Heráclito, não pela falta do rio, e sim porque, este não se esgotava. Hoje, porém, é o contrário, isto é, o banho desta manhã no rio, poderá não mais acontecer a tarde, pois, este, pela falta d’água poderá não mais se encontrar lá!

E este   homem que foi a tarde tomar banho no rio, e não o encontrou mais lá, se desaguou no quê?

Este ‘engenho’ do porvir, é que me desperta tanta admiração nos pré-socráticos como Tales e Heráclito. Em Tales a água enquanto elemento ‘fixador’ ou transformador das coisas; e em Heráclito o fluir...

O caboclo quando que se referir que alguém está falando sem nexo, diz do alto do seu pensar aquoso: “fulano está conversando  “miolo” de pote”!

A falta ou a presença de água no planeta é o indicador da presença de vida. Mas a vida em si o que é? Eis a questão!

Eu tenho dito que a humanidade caminha para o futuro de costas, pois, o lado da sua face é inteiramente voltada para o passado. Afinal o que é mesmo futuro?

Portanto, ir à fonte onde tudo começou a ser discutido, não secará ninguém!

Viva a ‘água’ de Tales que tanto hoje nos faz falta!




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