Pular para o conteúdo principal

E aí meu ‘peixe’, como vai a sua porosa existência?


Por Gilvaldo Quinzeiro


A existência é como uma rede de pesca: tudo é muito poroso. Tudo por ela se passa. Tudo é muito passageiro, mas isso não significa dizer, entretanto, que não haja fixação; prisão – o peixe a se afogar!

Há ‘janelas’ sim, mas por elas também nos lançamos com as pedras. Se não fosse pela ‘invenção da palavra’, não haveria mais o atirador da ‘funda’. Tudo seria um se jogar sem fim de corpo inteiro! Davi teve muita sorte (?)!

A existência é engenho onde nos fazemos, e devemos nos dedicar todos os dias a mais importante das missões: a conhecer que ‘diabo’ somos?

Há inclusive, aquilo que freudianamente se chama ‘o retorno do recalcado’. Este é o ‘peixe’ do qual não sabemos que somos suas ‘escamas’. Ah! quantos ‘olhos’ no escuro de nós a espera do ver o mundo do qual também somos reféns,   do lado de fora! Não seria esta a verdadeira ‘caverna’ descrita por Platão?

Se isso for verdade, eu espero que não, que ‘diabo’ estamos fazendo e nos tornando sem nos dar conta desta outra ‘caverna’, a virtual?

Tudo é como um sonho quase esquecido. Os arroubos da juventude, então, seriam evitados, se tivéssemos como ‘o espelho’ o porvir.

De fato, diante do exposto, o melhor que eu tenho que fazer por mim é me tornar melhor sempre, ainda que agarrado ao que resta da minha respiração!




Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A roda grande passando pela pequena

Gilvaldo Quinzeiro


No imaginário caboclo, desde a fundação de Canudos no sertão da Bahia (1893-1897), onde a seca e a fome fizeram da “fé” a enxada que escavava a solidariedade de um povo sem chão, o mito “da roda grande passando por dentro da pequena” foi sem dúvida nenhuma uma das mais engenhosas invenções da saga de Canudos.

A idéia de que uma “ roda grande passará por dentro de uma pequena,” é simplesmente assustadora e instigadora de uma reflexão. Seria esta passagem correspondente ao fim do mundo? Que roda grande é essa? Quem viverá para presenciar tal profecia?

O fato é que ainda hoje este mito sobrevive no imaginário nordestino, sobretudo no meio rural provocando apreensão e “matuteza”. Canudos ainda resistem?

Pois bem, às vésperas das eleições, o cenário montado, onde cabos eleitorais empunhando bandeiras e distribuindo “santinhos” dos candidatos, chamando atenção do povo - é de uma natureza tal que inspiraria um cordelista a escrever versos numa visão apocalíptica adver…

A FILOSOFIA CABOCLA, RISCAR O CHÃO.

Gilvaldo Quinzeiro

O caboclo quando risca o chão está pensando. Aliás, no caboclês ou no nheengatu se diz matutar. Riscar, pois, o chão com a ponta dos dedos, significa manipular com as mãos o abstrato, ou seja, pensar usando a “cabeça dos dedos”, termo bem apropriado para a filosofia cabocla. Diga-se de passagem, que a “filosofia cabocla” é única que tem explicação para tudo, do contrário o que seria o viver destes homens? “Quem não pode com a” rudia não pega no bote” - diz assertiva cabocla.
Besta é quem pensa que matuto não vive de matutar! Aliás, nas condições enfrentadas pelo caboclo, o pensamento que não corresponde à praticidade, é o mesmo que riscar o chão com o dedo para depois ter o risco apagado pelo vento, o que levou em seguida o caboclo a fazer uso de um graveto para, não obstante as intempéries continuar o seu pensar, isto é, riscando o chão.
Riscar o chão com o graveto em substituição aos dedos, não só significou apenas deixar marcas humanas mais pr…

Metáfora da natureza

A natureza....

quando ouvida no mais profundo do nosso silêncio...

nos dá ouvido

nos enraizando os sentidos... que dialoga quando se dá atenção....

nos fazendo ver além... o belo...