Pular para o conteúdo principal

A rebelião de presos em Manaus. O que pode haver por trás de tantas cabeças?



Por Gilvaldo Quinzeiro


A cena parece de um açougue. Mas de fato é uma barbárie. 30 homens sem suas cabeças. No total, 60 o número de mortos, e muitos feridos.  É este o resultado da rebelião ocorrida em Manaus, onde presos de facções rivais, os irmãos do Norte e o PCC, entraram em confrontos. Ganhou quem mais exibiu cabeças como troféu?

Os motivos da disputa, pelo que parece, não são os de dentro dos presídios superlotado, um inferno é bom que se diga, mas os problemas do lado de fora, isto é, onde todos nós estamos, a saber, a disputa por pontos de vendas de trocas e controles da logística do tráfico de maneira geral.

A meu ver a guerra entre facções tem também outro ingrediente, apimentado, é bom que se diga.  O nome ‘Família do Norte’, uma das facções; chama atenção para outro fato, qual seja, a rivalidade alimentada pelos preconceitos culturais e regionais. O PCC é uma facção originada em solos ‘sulistas’, e portando prenhe de alguma ideia de superioridade frente a 
outros grupos.

Em outras palavras, a ‘guerra separatista’, que tanto alguns grupos do Sul, que se consideram de elites, vêm falando, já começou, e entre os presos – por ‘cabeça’!

Se a tese aqui estiver certa, eu espero que não, então os presídios vão se transformar em palco de ideias e ações fundamentalistas, as mesmas que têm alimentados o mundo do lado de fora das prisões.

O medo das autoridades é que esta guerra entre gangs rivais se espalhe por todos os presídios do Brasil, e, no pior dos cenários, ganhe também as ruas.

O Brasil ganha mais uma vez os noticiários internacionais com imagens e fatos  assustadores. O ‘gaguejar’ das autoridades dando explicações para o ocorrido, é a prova de que já nos acostumamos a nos ‘sentar na própria merda’!

Coçou a cabeça, irmão? Parabéns, ao menos a sua continua no lugar!







Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A roda grande passando pela pequena

Gilvaldo Quinzeiro


No imaginário caboclo, desde a fundação de Canudos no sertão da Bahia (1893-1897), onde a seca e a fome fizeram da “fé” a enxada que escavava a solidariedade de um povo sem chão, o mito “da roda grande passando por dentro da pequena” foi sem dúvida nenhuma uma das mais engenhosas invenções da saga de Canudos.

A idéia de que uma “ roda grande passará por dentro de uma pequena,” é simplesmente assustadora e instigadora de uma reflexão. Seria esta passagem correspondente ao fim do mundo? Que roda grande é essa? Quem viverá para presenciar tal profecia?

O fato é que ainda hoje este mito sobrevive no imaginário nordestino, sobretudo no meio rural provocando apreensão e “matuteza”. Canudos ainda resistem?

Pois bem, às vésperas das eleições, o cenário montado, onde cabos eleitorais empunhando bandeiras e distribuindo “santinhos” dos candidatos, chamando atenção do povo - é de uma natureza tal que inspiraria um cordelista a escrever versos numa visão apocalíptica adver…

A FILOSOFIA CABOCLA, RISCAR O CHÃO.

Gilvaldo Quinzeiro

O caboclo quando risca o chão está pensando. Aliás, no caboclês ou no nheengatu se diz matutar. Riscar, pois, o chão com a ponta dos dedos, significa manipular com as mãos o abstrato, ou seja, pensar usando a “cabeça dos dedos”, termo bem apropriado para a filosofia cabocla. Diga-se de passagem, que a “filosofia cabocla” é única que tem explicação para tudo, do contrário o que seria o viver destes homens? “Quem não pode com a” rudia não pega no bote” - diz assertiva cabocla.
Besta é quem pensa que matuto não vive de matutar! Aliás, nas condições enfrentadas pelo caboclo, o pensamento que não corresponde à praticidade, é o mesmo que riscar o chão com o dedo para depois ter o risco apagado pelo vento, o que levou em seguida o caboclo a fazer uso de um graveto para, não obstante as intempéries continuar o seu pensar, isto é, riscando o chão.
Riscar o chão com o graveto em substituição aos dedos, não só significou apenas deixar marcas humanas mais pr…

Metáfora da natureza

A natureza....

quando ouvida no mais profundo do nosso silêncio...

nos dá ouvido

nos enraizando os sentidos... que dialoga quando se dá atenção....

nos fazendo ver além... o belo...