Pular para o conteúdo principal

O milagre da compreensão!


Por Gilvaldo Quinzeiro


Milagres acontecem, e todos os dias, em todos os lugares, em todas as religiões, e fora delas. Os deuses não têm dúvidas disso: só os homens, que se matam por eles!

Os milagres estão do lado oposto da morte. Chegar até aqui é se posicionar diante de si mesmo!

Entender como a vida, o maior de todos os milagres brota, inclusive sobre pedras, funciona, basta decifrar os ‘códigos comportamentais’ dos suicidas – estes, os suicidas não se matam antes de milagrosamente viver dando ‘vida’ e significado a sua morte. A morte aqui é simplesmente um gesto!

Os suicidas só não compreendem que os gestos, quaisquer que sejam, são como ‘faca’: dependendo de como se faz, se encrava!

Os suicidas são ‘deuses’ dos seus próprios gestos. Faltam a estes, pois, a compreensão de que os céus são também ‘gestos’, isto é, dependem da nossa cabeça e da nossa atitude. O mesmo também se diz sobre ‘inferno’: entramos e permanecemos nele graças aos nossos gestos!

A todo o momento, inclusive neste, precisamos realmente tornar o ‘céu’ acessível a todos: o gesto pode ser apenas um sorriso!

Chegar a compreensão de tudo isso sem precisar arrancar um dedo, é sim um milagre! Que bom que tudo isso só nos é possível vivendo. Portanto, viva. É este o gesto!

Uma ótima segunda-feira a todos com muitos milagres!




Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A roda grande passando pela pequena

Gilvaldo Quinzeiro


No imaginário caboclo, desde a fundação de Canudos no sertão da Bahia (1893-1897), onde a seca e a fome fizeram da “fé” a enxada que escavava a solidariedade de um povo sem chão, o mito “da roda grande passando por dentro da pequena” foi sem dúvida nenhuma uma das mais engenhosas invenções da saga de Canudos.

A idéia de que uma “ roda grande passará por dentro de uma pequena,” é simplesmente assustadora e instigadora de uma reflexão. Seria esta passagem correspondente ao fim do mundo? Que roda grande é essa? Quem viverá para presenciar tal profecia?

O fato é que ainda hoje este mito sobrevive no imaginário nordestino, sobretudo no meio rural provocando apreensão e “matuteza”. Canudos ainda resistem?

Pois bem, às vésperas das eleições, o cenário montado, onde cabos eleitorais empunhando bandeiras e distribuindo “santinhos” dos candidatos, chamando atenção do povo - é de uma natureza tal que inspiraria um cordelista a escrever versos numa visão apocalíptica adver…

A FILOSOFIA CABOCLA, RISCAR O CHÃO.

Gilvaldo Quinzeiro

O caboclo quando risca o chão está pensando. Aliás, no caboclês ou no nheengatu se diz matutar. Riscar, pois, o chão com a ponta dos dedos, significa manipular com as mãos o abstrato, ou seja, pensar usando a “cabeça dos dedos”, termo bem apropriado para a filosofia cabocla. Diga-se de passagem, que a “filosofia cabocla” é única que tem explicação para tudo, do contrário o que seria o viver destes homens? “Quem não pode com a” rudia não pega no bote” - diz assertiva cabocla.
Besta é quem pensa que matuto não vive de matutar! Aliás, nas condições enfrentadas pelo caboclo, o pensamento que não corresponde à praticidade, é o mesmo que riscar o chão com o dedo para depois ter o risco apagado pelo vento, o que levou em seguida o caboclo a fazer uso de um graveto para, não obstante as intempéries continuar o seu pensar, isto é, riscando o chão.
Riscar o chão com o graveto em substituição aos dedos, não só significou apenas deixar marcas humanas mais pr…

Medicina cabocla

Gilvaldo Quinzeiro





Coceira nenhuma é igual a do “gugumim”, pra esta não tem água morna, quente ou fria: só o gargarejo de “malva do reino”!


Noite adentro, quando se escutava o pilãozinho sendo socado, era menino precisando passar por alguma esfregação, seja com azeite de mamona ensopado num algodão, seja com um dente de alho esquentado nas chamas de uma lamparina!


Nos casos mais graves de dor de barriga, se recorria ao sarro de cachimbo passado em cruz. E ai do menino metido à besta que se recusasse tal procedimento da medicina cabocla  – o cinturão estava já bem às vistas!...

O máximo que se poderia dizer era: mamãe!...