Pular para o conteúdo principal

A política, os negócios e a cidade: quem fala em nome de quem?


Gilvaldo Quinzeiro



A política sempre foi palco de retórica e contradições, disso os gregos sabiam mais do que ninguém. O que se esquece, porém, é que este palco era a “polis”, ou seja, a cidade para a qual e sem a qual, não haveria a política em seu sentido propriamente dito.

 Em Caxias, nos últimos tempos, a política tem significado apenas  “negócios”, ou seja, uma forma pela qual e sem a qual “os negócios não andam”; negócios em nome de meia dúzia, diga-se. Enquanto isso, a “polis”, a cidade, o que é? De quem é?

Caxias, não  tem se tornado em outra coisa, senão, na barbárie - ,  resultado da política aplicada não só no seu sentido inverso, mas, fundamentalmente, no sentido para o qual ela não tem sentido algum, isto é, no escancarado abandono da cidade, da polis, em beneficio único e exclusivo  daqueles que, ao contrário, dela deveriam zelar.

Eis aqui o fundamento do afundamento da cidade de Caxias: os negócios particulares, em nome dos quais a cidade perde seu próprio nome. Quem é Caxias no atual cenário econômico-social do Maranhão? Um republica de forasteiro?

Esta discussão, entretanto, tem algo mais grave, que é a perda da cidadania. Em outras palavras, o cidadão na condição apenas de “bicho urbano”. Aliás, é este “bicho urbano”, o resultado  claro da falta de uma política no seu sentido público e civilizatório!...

O “bicho urbano” não é outra coisa, senão a percepção da cidade em seu sentido mais aniquilante: o fantasmagórico, ou seja, de total abandono!

Ora, quem passa ali em frente ao antigo Centro Administrativo Alexandre Costa (em frente  Caixa Econômico), percebe o quê?

Pois bem...






Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A roda grande passando pela pequena

Gilvaldo Quinzeiro


No imaginário caboclo, desde a fundação de Canudos no sertão da Bahia (1893-1897), onde a seca e a fome fizeram da “fé” a enxada que escavava a solidariedade de um povo sem chão, o mito “da roda grande passando por dentro da pequena” foi sem dúvida nenhuma uma das mais engenhosas invenções da saga de Canudos.

A idéia de que uma “ roda grande passará por dentro de uma pequena,” é simplesmente assustadora e instigadora de uma reflexão. Seria esta passagem correspondente ao fim do mundo? Que roda grande é essa? Quem viverá para presenciar tal profecia?

O fato é que ainda hoje este mito sobrevive no imaginário nordestino, sobretudo no meio rural provocando apreensão e “matuteza”. Canudos ainda resistem?

Pois bem, às vésperas das eleições, o cenário montado, onde cabos eleitorais empunhando bandeiras e distribuindo “santinhos” dos candidatos, chamando atenção do povo - é de uma natureza tal que inspiraria um cordelista a escrever versos numa visão apocalíptica adver…

A FILOSOFIA CABOCLA, RISCAR O CHÃO.

Gilvaldo Quinzeiro

O caboclo quando risca o chão está pensando. Aliás, no caboclês ou no nheengatu se diz matutar. Riscar, pois, o chão com a ponta dos dedos, significa manipular com as mãos o abstrato, ou seja, pensar usando a “cabeça dos dedos”, termo bem apropriado para a filosofia cabocla. Diga-se de passagem, que a “filosofia cabocla” é única que tem explicação para tudo, do contrário o que seria o viver destes homens? “Quem não pode com a” rudia não pega no bote” - diz assertiva cabocla.
Besta é quem pensa que matuto não vive de matutar! Aliás, nas condições enfrentadas pelo caboclo, o pensamento que não corresponde à praticidade, é o mesmo que riscar o chão com o dedo para depois ter o risco apagado pelo vento, o que levou em seguida o caboclo a fazer uso de um graveto para, não obstante as intempéries continuar o seu pensar, isto é, riscando o chão.
Riscar o chão com o graveto em substituição aos dedos, não só significou apenas deixar marcas humanas mais pr…

Metáfora da natureza

A natureza....

quando ouvida no mais profundo do nosso silêncio...

nos dá ouvido

nos enraizando os sentidos... que dialoga quando se dá atenção....

nos fazendo ver além... o belo...