Pular para o conteúdo principal

Uma oração para espantar os urubus!

Por Gilvaldo Quinzeiro



Nunca os homens rogaram tanto a Deus. Nunca os homens tiveram tão próximos da condição de urubus. Nunca a democracia foi tão usada em defesa de interesses tão mesquinhos. Nunca se falou tanto em direitos. Mas em deveres, todos permanecem mudos! E assim rosnam os cães. Uivam os lobos. Todos com a mesma fome. A fome de celebrar os ossos dos outros.

Vivemos num mundo de cobras grandes e de varas curtas. Veneno é o que não falta até nas pontas dos dedos. Moisés, se fosse arriscar a travessia do Mar Vermelho, hoje, possivelmente não seria exitoso, não por não contar com ajuda de Deus – mas porque o mar talvez fosse lhe responder de uma outra forma!

Mas esta é a Grande Travessia Humana. A saga de todos os tempos. A questão é que quem estão em marcha não são homens, mas espantalhos. São estes enfim que haverão de contemplar a divina face?

Terminado a guerra fria, com a “vitória do bem” sobre o mal, contra quem então marcham hoje os soldados, quase sempre de máscaras, e com armas com tamanha precisão? Será que o “bem”, está se sentindo ameaçado pelo mesmo poder que fez ruir o mal?

Por quem estão a morrer os ucranianos? Os venezuelanos?  Os sírios? E pasmem! Os brasileiros em solo tão pacifico?

Deus Pai, que a vinda do Filho, possa até tardar, mas que a nova safra de “Homens” seja breve!



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A roda grande passando pela pequena

Gilvaldo Quinzeiro


No imaginário caboclo, desde a fundação de Canudos no sertão da Bahia (1893-1897), onde a seca e a fome fizeram da “fé” a enxada que escavava a solidariedade de um povo sem chão, o mito “da roda grande passando por dentro da pequena” foi sem dúvida nenhuma uma das mais engenhosas invenções da saga de Canudos.

A idéia de que uma “ roda grande passará por dentro de uma pequena,” é simplesmente assustadora e instigadora de uma reflexão. Seria esta passagem correspondente ao fim do mundo? Que roda grande é essa? Quem viverá para presenciar tal profecia?

O fato é que ainda hoje este mito sobrevive no imaginário nordestino, sobretudo no meio rural provocando apreensão e “matuteza”. Canudos ainda resistem?

Pois bem, às vésperas das eleições, o cenário montado, onde cabos eleitorais empunhando bandeiras e distribuindo “santinhos” dos candidatos, chamando atenção do povo - é de uma natureza tal que inspiraria um cordelista a escrever versos numa visão apocalíptica adver…

A FILOSOFIA CABOCLA, RISCAR O CHÃO.

Gilvaldo Quinzeiro

O caboclo quando risca o chão está pensando. Aliás, no caboclês ou no nheengatu se diz matutar. Riscar, pois, o chão com a ponta dos dedos, significa manipular com as mãos o abstrato, ou seja, pensar usando a “cabeça dos dedos”, termo bem apropriado para a filosofia cabocla. Diga-se de passagem, que a “filosofia cabocla” é única que tem explicação para tudo, do contrário o que seria o viver destes homens? “Quem não pode com a” rudia não pega no bote” - diz assertiva cabocla.
Besta é quem pensa que matuto não vive de matutar! Aliás, nas condições enfrentadas pelo caboclo, o pensamento que não corresponde à praticidade, é o mesmo que riscar o chão com o dedo para depois ter o risco apagado pelo vento, o que levou em seguida o caboclo a fazer uso de um graveto para, não obstante as intempéries continuar o seu pensar, isto é, riscando o chão.
Riscar o chão com o graveto em substituição aos dedos, não só significou apenas deixar marcas humanas mais pr…

Medicina cabocla

Gilvaldo Quinzeiro





Coceira nenhuma é igual a do “gugumim”, pra esta não tem água morna, quente ou fria: só o gargarejo de “malva do reino”!


Noite adentro, quando se escutava o pilãozinho sendo socado, era menino precisando passar por alguma esfregação, seja com azeite de mamona ensopado num algodão, seja com um dente de alho esquentado nas chamas de uma lamparina!


Nos casos mais graves de dor de barriga, se recorria ao sarro de cachimbo passado em cruz. E ai do menino metido à besta que se recusasse tal procedimento da medicina cabocla  – o cinturão estava já bem às vistas!...

O máximo que se poderia dizer era: mamãe!...