Pular para o conteúdo principal

A nova década, já passou, a segunda, quem viverá?

Gilvaldo Quinzeiro





A primeira década do novo século, já se foi. Para nós do século passado, a segunda década, poderá ser a última de muitas outras já vividas, muitas vezes sem termos nos dado conta do quão foi tão breve, e do quanto deixamos de ter vivido as coisas que nos chegaram cedo e de graça!...


A segunda década, a que começa já no dia primeiro, terá os seus quatro primeiros anos, para nós brasileiros, um fato inédito, o de sermos regidos pela primeira mulher a ocupar a Presidência da República. Uma incógnita, e muitas interrogações! Mas, aqui vai a nossa torcida no sentido de que sejam 4 anos de prosperidades!


No segundo ano, da segunda década, 2012, a humanidade assistirá o “alinhamento galáctico”, que só acontece, a cada 26 mil anos. Será o fim do mundo? Se for, certamente este terá seu começo, e, como todo começo inevitavelmente, marcará o fim de alguma coisa. E nós que tipo de coisa nos tornamos durante estes 26 mil anos?

Em 2014, o Brasil sediará, a sua segunda Copa do Mundo, a primeira, a de 1950(quem se lembra?), perdemos em pleno Maracanã lotado!


Enfim, paradoxalmente, num mundo de rápidas transformações, o que fica são só as permanências. Aqui em Caxias, depois de dois mandatos à “arroz-com-feijão”, do Prefeito Humberto Coutinho, o que mudará é o que permanece, como este não poderá se reeleger, a mudança virá com seu sobrinho?


Por fim, algo filosoficamente revelador: estamos mesmo ficando velho de ver “o novo” que nunca chega! Melhor assim, não velho?

Feliz que ano? Todos foram!

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A roda grande passando pela pequena

Gilvaldo Quinzeiro


No imaginário caboclo, desde a fundação de Canudos no sertão da Bahia (1893-1897), onde a seca e a fome fizeram da “fé” a enxada que escavava a solidariedade de um povo sem chão, o mito “da roda grande passando por dentro da pequena” foi sem dúvida nenhuma uma das mais engenhosas invenções da saga de Canudos.

A idéia de que uma “ roda grande passará por dentro de uma pequena,” é simplesmente assustadora e instigadora de uma reflexão. Seria esta passagem correspondente ao fim do mundo? Que roda grande é essa? Quem viverá para presenciar tal profecia?

O fato é que ainda hoje este mito sobrevive no imaginário nordestino, sobretudo no meio rural provocando apreensão e “matuteza”. Canudos ainda resistem?

Pois bem, às vésperas das eleições, o cenário montado, onde cabos eleitorais empunhando bandeiras e distribuindo “santinhos” dos candidatos, chamando atenção do povo - é de uma natureza tal que inspiraria um cordelista a escrever versos numa visão apocalíptica adver…

A FILOSOFIA CABOCLA, RISCAR O CHÃO.

Gilvaldo Quinzeiro

O caboclo quando risca o chão está pensando. Aliás, no caboclês ou no nheengatu se diz matutar. Riscar, pois, o chão com a ponta dos dedos, significa manipular com as mãos o abstrato, ou seja, pensar usando a “cabeça dos dedos”, termo bem apropriado para a filosofia cabocla. Diga-se de passagem, que a “filosofia cabocla” é única que tem explicação para tudo, do contrário o que seria o viver destes homens? “Quem não pode com a” rudia não pega no bote” - diz assertiva cabocla.
Besta é quem pensa que matuto não vive de matutar! Aliás, nas condições enfrentadas pelo caboclo, o pensamento que não corresponde à praticidade, é o mesmo que riscar o chão com o dedo para depois ter o risco apagado pelo vento, o que levou em seguida o caboclo a fazer uso de um graveto para, não obstante as intempéries continuar o seu pensar, isto é, riscando o chão.
Riscar o chão com o graveto em substituição aos dedos, não só significou apenas deixar marcas humanas mais pr…

Medicina cabocla

Gilvaldo Quinzeiro





Coceira nenhuma é igual a do “gugumim”, pra esta não tem água morna, quente ou fria: só o gargarejo de “malva do reino”!


Noite adentro, quando se escutava o pilãozinho sendo socado, era menino precisando passar por alguma esfregação, seja com azeite de mamona ensopado num algodão, seja com um dente de alho esquentado nas chamas de uma lamparina!


Nos casos mais graves de dor de barriga, se recorria ao sarro de cachimbo passado em cruz. E ai do menino metido à besta que se recusasse tal procedimento da medicina cabocla  – o cinturão estava já bem às vistas!...

O máximo que se poderia dizer era: mamãe!...