Pular para o conteúdo principal

Pedras para a construção de novas catedrais

Gilvaldo Quinzeiro





Neste natal, não quero mesas postas, nem fartura de presentes importados, eu quero apenas poder me sentar ao chão, e com um ou dois amigos relembrar do tempo em que se podia com os dedos escrever na areia fria dos terreiros, todos os sonhos possíveis!...


Sim, eu quero ter sonhos, não aqueles que nunca vou poder realizá-los, mas os que me levarão a fazer o que sempre já deveria ter feito, mas, por sonhar grande demais, acabei por esquecê-los, como por exemplo, o de escrever cartas com felicitações de “boas festas”, e  enviá-las pelo correio a todos os meus amigos distantes!


Não quero o brilho e as promoções dos shoppings, quero apenas deitar numa rede bem nordestina, e da varanda, contemplar o voo dos pássaros que sobrevoam as colinas.


Neste natal, não quero ir ao cinema ou assistir os mesmos filmes das tvs; eu quero ouvir o locutor do rádio, dizendo alô aos seus ouvintes, que não se cansam de imaginar levados pelas ondas sonoras, a existência de uma cidade cheia de luzes e de gente sinceras se abraçando!


Neste natal, não quero ter a esperança de me tornar rico, mas, apenas me preparar inteligentemente, sem ter que culpar a ninguém pelas perdas que seguramente terei que enfrentar nos dias futuros!...


Por fim, eu quero aprender mais a viver usufruindo daquilo que realmente tenho ao alcance das minhas mãos!


E a todos os que visitam estas páginas, desejo um livro cheio de pedras!...


Mãos a obra!

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A roda grande passando pela pequena

Gilvaldo Quinzeiro


No imaginário caboclo, desde a fundação de Canudos no sertão da Bahia (1893-1897), onde a seca e a fome fizeram da “fé” a enxada que escavava a solidariedade de um povo sem chão, o mito “da roda grande passando por dentro da pequena” foi sem dúvida nenhuma uma das mais engenhosas invenções da saga de Canudos.

A idéia de que uma “ roda grande passará por dentro de uma pequena,” é simplesmente assustadora e instigadora de uma reflexão. Seria esta passagem correspondente ao fim do mundo? Que roda grande é essa? Quem viverá para presenciar tal profecia?

O fato é que ainda hoje este mito sobrevive no imaginário nordestino, sobretudo no meio rural provocando apreensão e “matuteza”. Canudos ainda resistem?

Pois bem, às vésperas das eleições, o cenário montado, onde cabos eleitorais empunhando bandeiras e distribuindo “santinhos” dos candidatos, chamando atenção do povo - é de uma natureza tal que inspiraria um cordelista a escrever versos numa visão apocalíptica adver…

A FILOSOFIA CABOCLA, RISCAR O CHÃO.

Gilvaldo Quinzeiro

O caboclo quando risca o chão está pensando. Aliás, no caboclês ou no nheengatu se diz matutar. Riscar, pois, o chão com a ponta dos dedos, significa manipular com as mãos o abstrato, ou seja, pensar usando a “cabeça dos dedos”, termo bem apropriado para a filosofia cabocla. Diga-se de passagem, que a “filosofia cabocla” é única que tem explicação para tudo, do contrário o que seria o viver destes homens? “Quem não pode com a” rudia não pega no bote” - diz assertiva cabocla.
Besta é quem pensa que matuto não vive de matutar! Aliás, nas condições enfrentadas pelo caboclo, o pensamento que não corresponde à praticidade, é o mesmo que riscar o chão com o dedo para depois ter o risco apagado pelo vento, o que levou em seguida o caboclo a fazer uso de um graveto para, não obstante as intempéries continuar o seu pensar, isto é, riscando o chão.
Riscar o chão com o graveto em substituição aos dedos, não só significou apenas deixar marcas humanas mais pr…

Metáfora da natureza

A natureza....

quando ouvida no mais profundo do nosso silêncio...

nos dá ouvido

nos enraizando os sentidos... que dialoga quando se dá atenção....

nos fazendo ver além... o belo...