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Um presente para ser

Gilvaldo Quinzeiro



O presente sem a “presença”, isto é, sem o valor afetivo da pessoa que presenteia agregado, pode ter todo o ouro do mundo que o transforma em tudo, menos em “presente”. O pre-sente, portanto, pressupõe algo que a si o antecede sem o qual, não nos faria “sentir” a presença que está além. Em outras palavras, dar um presente é antes de tudo, do valor monetário ou do seu conteúdo, se de ouro ou de prata, é se fazer presente nele!


“Quando a esmola é grande até o cego desconfia”. Ora, o presente também se insere a um contexto. Tal, como “uma esmola grande” a um cego, o presente pode ser portador de uma ausência, como é o caso daquele que leva o presenteado a desconfiar... Por isso, o verdadeiro presente é aquele cujo valor se faz da “presença” de quem presenteia.


O que dou de presente doo de mim, ainda que neste esteja ausente o ouro que me faria “comprar” também a quem me contentaria com o seu “muito obrigado”!

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