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Ainda falando da morte

Gilvaldo Quinzeiro



O suicida, “morre” sempre antes de enfrentar em si o que há em si para ser enfrentado. Ou seja, antes de tudo, ele é aquela criança que quando numa situação embaraçosa sempre foge num tapete voador. Isso significa dizer que a morte que lhe é recorrente, não é o fim em si mesmo, mas apenas um lugar do “esconderijo do corpo”.


Esconder o corpo, a criança faz muito isso, quando coloca as mãos no rosto, num gesto mágico que lhe faz “desaparecer” diante do que lhe é avassalador. O suicida portanto, é uma criança que brinca de “desaparecer”. Mas, a morte, esta é implacável. Brincar com ela é como o fogo, ou seja, é só para se queimar!...



O corpo como lugar dar dor e do prazer é uma realidade primeira, aquela da qual se cria uma outra, ou outras... E nestas, a fuga pode nos aproximar muito mais rapidamente daquilo que o corpo sente apenas como ameaça: a morte!

Portanto, com a morte o que "desaparece" aparece em tudo que nos sustenta. Uma pena não nos ver ainda balançando!...

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