Pular para o conteúdo principal

Dica de verão: como conquistar alguém sem lhe arrancar o tampo

Gilvaldo Quinzeiro



A primeira vista esta dica vai desagradar de cara os mais “apetitosos”, mas, ter fome apenas não significa necessariamente ter o que comer, e nem ter comida pronta é sinal de que se possa a barriga encher... Ora, é assim também em se tratando de gente, isto é, embora no verão nos dê água na boca, mas, ir logo com muita fome pro corpo, corre-se o risco de entalar!...

Dito de outra forma: não é que devamos nos esquecer da boca, mas, gente bem comida é com as mãos. Claro que aqui eu possa estar também desagradando, só que não entrarei em detalhes explicativos para não perder a performance...

Pois bem, gente a ser conquistada, pressupõe que a conquista primeira seja a gente. Claro que estou citando Sócrates, só que com outras palavras. Está entendo?

Sem arrancar o tampo: diga-me o que e como tu comes que eu te direi quem tu és. È assim? Mas pode ser...

Chegando o verão, outros virão só pra comer! Estes sim não terão o tampo arrancado, mas, certamente o terá aumentado. Quer ver?

Mas, voltando à proposta inicial: como conquistar alguém sem lhe arrancar o tampo. Acredita você que alguém pra ser conquistado signifique que tenha deixado de “ser”?

Um “tampo” leva um tempo pra ser cicatrizado. Imagine aqueles que não têm nada do que mais lhe ser tirado!...

Poxa! Uma reflexão: um querer mais além é um verão já pensando no inverno que vem!

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A roda grande passando pela pequena

Gilvaldo Quinzeiro


No imaginário caboclo, desde a fundação de Canudos no sertão da Bahia (1893-1897), onde a seca e a fome fizeram da “fé” a enxada que escavava a solidariedade de um povo sem chão, o mito “da roda grande passando por dentro da pequena” foi sem dúvida nenhuma uma das mais engenhosas invenções da saga de Canudos.

A idéia de que uma “ roda grande passará por dentro de uma pequena,” é simplesmente assustadora e instigadora de uma reflexão. Seria esta passagem correspondente ao fim do mundo? Que roda grande é essa? Quem viverá para presenciar tal profecia?

O fato é que ainda hoje este mito sobrevive no imaginário nordestino, sobretudo no meio rural provocando apreensão e “matuteza”. Canudos ainda resistem?

Pois bem, às vésperas das eleições, o cenário montado, onde cabos eleitorais empunhando bandeiras e distribuindo “santinhos” dos candidatos, chamando atenção do povo - é de uma natureza tal que inspiraria um cordelista a escrever versos numa visão apocalíptica adver…

A FILOSOFIA CABOCLA, RISCAR O CHÃO.

Gilvaldo Quinzeiro

O caboclo quando risca o chão está pensando. Aliás, no caboclês ou no nheengatu se diz matutar. Riscar, pois, o chão com a ponta dos dedos, significa manipular com as mãos o abstrato, ou seja, pensar usando a “cabeça dos dedos”, termo bem apropriado para a filosofia cabocla. Diga-se de passagem, que a “filosofia cabocla” é única que tem explicação para tudo, do contrário o que seria o viver destes homens? “Quem não pode com a” rudia não pega no bote” - diz assertiva cabocla.
Besta é quem pensa que matuto não vive de matutar! Aliás, nas condições enfrentadas pelo caboclo, o pensamento que não corresponde à praticidade, é o mesmo que riscar o chão com o dedo para depois ter o risco apagado pelo vento, o que levou em seguida o caboclo a fazer uso de um graveto para, não obstante as intempéries continuar o seu pensar, isto é, riscando o chão.
Riscar o chão com o graveto em substituição aos dedos, não só significou apenas deixar marcas humanas mais pr…

Metáfora da natureza

A natureza....

quando ouvida no mais profundo do nosso silêncio...

nos dá ouvido

nos enraizando os sentidos... que dialoga quando se dá atenção....

nos fazendo ver além... o belo...