Pular para o conteúdo principal

Na falta de gente pra ser, o dinheiro é tudo, e o Outro, comida!

Gilvaldo Quinzeiro



O dinheiro, e não os homens é o “sujeito” dos novos tempos. Ora, isso implica numa “falta”, e esta não é outra coisa senão a que se faz presente na perversão. E quanto aos homens (se ainda existirem), estes são suplantados pelo mundo onde só “as coisas” existem!...

O dinheiro, como bem diria Freud “é da ordem simbólica tal como a das fezes”, e em assim sendo, o que se agrega a ambos é tão subjetivo, que aos olhos de quem tais têm valor?

Pois bem, se é assim que se dão os fatos ao menos no âmbito do discurso, então o dinheiro não só tem sido o nosso “falo” (perdido), mas, a nossa própria falta fôlego. Quisera ser apenas a nossa falta de vergonha!

E como “dinheiro e fezes” simbolicamente se equivalem, então como negar que vivemos numa “merdacracia”? Ora, achar isso pouco é não se dá conta do afundamento dos valores -, fora isso, tudo mais é só atolamento!

Uma última palavra: a “falta” nos faz mãe de nós mesmos, logo, esta já se faz presente em nós pela sua falta, e o Outro... Bem o Outro é pra se “comer” no lugar da nossa comida!

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A roda grande passando pela pequena

Gilvaldo Quinzeiro


No imaginário caboclo, desde a fundação de Canudos no sertão da Bahia (1893-1897), onde a seca e a fome fizeram da “fé” a enxada que escavava a solidariedade de um povo sem chão, o mito “da roda grande passando por dentro da pequena” foi sem dúvida nenhuma uma das mais engenhosas invenções da saga de Canudos.

A idéia de que uma “ roda grande passará por dentro de uma pequena,” é simplesmente assustadora e instigadora de uma reflexão. Seria esta passagem correspondente ao fim do mundo? Que roda grande é essa? Quem viverá para presenciar tal profecia?

O fato é que ainda hoje este mito sobrevive no imaginário nordestino, sobretudo no meio rural provocando apreensão e “matuteza”. Canudos ainda resistem?

Pois bem, às vésperas das eleições, o cenário montado, onde cabos eleitorais empunhando bandeiras e distribuindo “santinhos” dos candidatos, chamando atenção do povo - é de uma natureza tal que inspiraria um cordelista a escrever versos numa visão apocalíptica adver…

A FILOSOFIA CABOCLA, RISCAR O CHÃO.

Gilvaldo Quinzeiro

O caboclo quando risca o chão está pensando. Aliás, no caboclês ou no nheengatu se diz matutar. Riscar, pois, o chão com a ponta dos dedos, significa manipular com as mãos o abstrato, ou seja, pensar usando a “cabeça dos dedos”, termo bem apropriado para a filosofia cabocla. Diga-se de passagem, que a “filosofia cabocla” é única que tem explicação para tudo, do contrário o que seria o viver destes homens? “Quem não pode com a” rudia não pega no bote” - diz assertiva cabocla.
Besta é quem pensa que matuto não vive de matutar! Aliás, nas condições enfrentadas pelo caboclo, o pensamento que não corresponde à praticidade, é o mesmo que riscar o chão com o dedo para depois ter o risco apagado pelo vento, o que levou em seguida o caboclo a fazer uso de um graveto para, não obstante as intempéries continuar o seu pensar, isto é, riscando o chão.
Riscar o chão com o graveto em substituição aos dedos, não só significou apenas deixar marcas humanas mais pr…

Metáfora da natureza

A natureza....

quando ouvida no mais profundo do nosso silêncio...

nos dá ouvido

nos enraizando os sentidos... que dialoga quando se dá atenção....

nos fazendo ver além... o belo...