Pular para o conteúdo principal

Em tempo de “rolezinho” quem vale mais, o indivíduo ou uma pizza?


Por Gilvaldo Quinzeiro

 

De repente numa sociedade de massa, é mais fácil ser uma “pizza” que um “indivíduo”. Ora, isso explicaria por que da nossa face já não mais precisamos, senão daquela que nos identificaria como pertencendo a mesma tribo?

Pois bem, para esta mesma sociedade de massa, não há tribo alguma, senão aquela para a qual uma “pizza” tem mais valor que seus indivíduos. Isso explicaria a reação dos shopping aos “rolezinhos”?

É aqui onde a equação “pizza” X “individuo” desmascararia a verdadeira face de uma sociedade de massa. Isso me faz lembrar a história de “João e Maria” que se perderam na floresta, e quando encontrados por uma bruxa passaram a ser engordados apenas para serem servidos como refeição.

Que boa acolhida esta, não?

Deste modo, a sociedade de massa se comporta tal e qual, a bruxa da história de “João e Maria”, ou seja, desenraiza o indivíduo, fazendo este perder-se no meio do caos urbano, para depois, reintroduzi-lo numa nova ordem – aquela em que se espera que “o dedo engorde” para em seguida servi-lo para o mesmo indivíduo – só que agora na condição de uma requintada iguaria!

Isso significa então, ganho ou perda?

Tudo o que foi escrito até aqui foi apena para chamar atenção ao fenômeno “rolezinho”. Ou seja, um encontro de jovens nos shoppings marcado pelas redes sociais que, aos milhares vem dando dor de cabeça tanto aos seguranças, quanto aos lojistas, bem como aos clientes. Os mesmos shoppings que são feitos para atrair “Joãozinho faminto” para as suas iguarias!

A questão que se colocar é: quem afinal são estes “Joãos” dos rolezinhos?  Será que são como aquele que aprendeu a mostrar o rabo da lagartixa, ao invés do seu próprio dedo para enganar a bruxa? Ou são aqueles que apenas se sentem como “pizza”?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A roda grande passando pela pequena

Gilvaldo Quinzeiro


No imaginário caboclo, desde a fundação de Canudos no sertão da Bahia (1893-1897), onde a seca e a fome fizeram da “fé” a enxada que escavava a solidariedade de um povo sem chão, o mito “da roda grande passando por dentro da pequena” foi sem dúvida nenhuma uma das mais engenhosas invenções da saga de Canudos.

A idéia de que uma “ roda grande passará por dentro de uma pequena,” é simplesmente assustadora e instigadora de uma reflexão. Seria esta passagem correspondente ao fim do mundo? Que roda grande é essa? Quem viverá para presenciar tal profecia?

O fato é que ainda hoje este mito sobrevive no imaginário nordestino, sobretudo no meio rural provocando apreensão e “matuteza”. Canudos ainda resistem?

Pois bem, às vésperas das eleições, o cenário montado, onde cabos eleitorais empunhando bandeiras e distribuindo “santinhos” dos candidatos, chamando atenção do povo - é de uma natureza tal que inspiraria um cordelista a escrever versos numa visão apocalíptica adver…

A FILOSOFIA CABOCLA, RISCAR O CHÃO.

Gilvaldo Quinzeiro

O caboclo quando risca o chão está pensando. Aliás, no caboclês ou no nheengatu se diz matutar. Riscar, pois, o chão com a ponta dos dedos, significa manipular com as mãos o abstrato, ou seja, pensar usando a “cabeça dos dedos”, termo bem apropriado para a filosofia cabocla. Diga-se de passagem, que a “filosofia cabocla” é única que tem explicação para tudo, do contrário o que seria o viver destes homens? “Quem não pode com a” rudia não pega no bote” - diz assertiva cabocla.
Besta é quem pensa que matuto não vive de matutar! Aliás, nas condições enfrentadas pelo caboclo, o pensamento que não corresponde à praticidade, é o mesmo que riscar o chão com o dedo para depois ter o risco apagado pelo vento, o que levou em seguida o caboclo a fazer uso de um graveto para, não obstante as intempéries continuar o seu pensar, isto é, riscando o chão.
Riscar o chão com o graveto em substituição aos dedos, não só significou apenas deixar marcas humanas mais pr…

Metáfora da natureza

A natureza....

quando ouvida no mais profundo do nosso silêncio...

nos dá ouvido

nos enraizando os sentidos... que dialoga quando se dá atenção....

nos fazendo ver além... o belo...