Pular para o conteúdo principal

Enquanto isso na Faixa de Gaza



Por Gilvaldo Quinzeiro



Alô primo,  estou te ligando para avisar  que logo mais uma bomba cairá bem em cima da tua casa! Se você escapar, me liga de volta!

Segundos  depois....  “Baroom! Baruuum”!  Fim da ligação.


Pois bem, os velhos conflitos usam as novas  maquiagem do tempo de agora.  Quanto a isso, nenhuma novidade. O novo é a nossa dependência dos "salões de beleza". É aqui que todas as serpentes conquistam uma vida nova. Uma  vida nova, contudo, sem o disfarce da face  velha. Tudo de fato são “retoques” num mundo que cada vez  mais se torna  tão antigo.

A propósito, ontem,  enquanto fazia a minha caminhada vespertina, pensava: 
“vejo toda esta gente correndo. Uns  para ganhar  corpo. Outros,  para perdê-lo. Vivemos numa época em que todos  nós temos a necessidade de sermos  “sarados”, ainda que  pisando sobre as próprias feridas. É assim que o tempo de agora nos exige. É assim , pois, que temos que ser?

Na verdade,  a meu ver, nesta pressa toda do presente que nos arrasta precocemente para o futuro, estamos nos esquecendo de uma coisa fundamental: “ser gente”. E ser gente, imagino, não precisa ser necessariamente bonita, “sarada ou bombada” – mas que seja  ao menos   capaz de sorrir, com ou sem maquiagem – estando ou não fotografado”!

Enquanto isso na Faixa de Gaza: Baroom! Baruuum!



                                                                                                                                 


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A roda grande passando pela pequena

Gilvaldo Quinzeiro


No imaginário caboclo, desde a fundação de Canudos no sertão da Bahia (1893-1897), onde a seca e a fome fizeram da “fé” a enxada que escavava a solidariedade de um povo sem chão, o mito “da roda grande passando por dentro da pequena” foi sem dúvida nenhuma uma das mais engenhosas invenções da saga de Canudos.

A idéia de que uma “ roda grande passará por dentro de uma pequena,” é simplesmente assustadora e instigadora de uma reflexão. Seria esta passagem correspondente ao fim do mundo? Que roda grande é essa? Quem viverá para presenciar tal profecia?

O fato é que ainda hoje este mito sobrevive no imaginário nordestino, sobretudo no meio rural provocando apreensão e “matuteza”. Canudos ainda resistem?

Pois bem, às vésperas das eleições, o cenário montado, onde cabos eleitorais empunhando bandeiras e distribuindo “santinhos” dos candidatos, chamando atenção do povo - é de uma natureza tal que inspiraria um cordelista a escrever versos numa visão apocalíptica adver…

A FILOSOFIA CABOCLA, RISCAR O CHÃO.

Gilvaldo Quinzeiro

O caboclo quando risca o chão está pensando. Aliás, no caboclês ou no nheengatu se diz matutar. Riscar, pois, o chão com a ponta dos dedos, significa manipular com as mãos o abstrato, ou seja, pensar usando a “cabeça dos dedos”, termo bem apropriado para a filosofia cabocla. Diga-se de passagem, que a “filosofia cabocla” é única que tem explicação para tudo, do contrário o que seria o viver destes homens? “Quem não pode com a” rudia não pega no bote” - diz assertiva cabocla.
Besta é quem pensa que matuto não vive de matutar! Aliás, nas condições enfrentadas pelo caboclo, o pensamento que não corresponde à praticidade, é o mesmo que riscar o chão com o dedo para depois ter o risco apagado pelo vento, o que levou em seguida o caboclo a fazer uso de um graveto para, não obstante as intempéries continuar o seu pensar, isto é, riscando o chão.
Riscar o chão com o graveto em substituição aos dedos, não só significou apenas deixar marcas humanas mais pr…

Metáfora da natureza

A natureza....

quando ouvida no mais profundo do nosso silêncio...

nos dá ouvido

nos enraizando os sentidos... que dialoga quando se dá atenção....

nos fazendo ver além... o belo...