Pular para o conteúdo principal

Para não dizer que não falei em meu próprio Nome, enquanto os homens estão se matando em nome dos seus deuses. Uma breve reflexão sobre o conflito israelenses X palestinos

Por Gilvaldo Quinzeiro



Nestes dias de céus de bombardeios, os mesmos  céus nos quais se opõem o Deus de Israel e o Deus dos palestinos, enquanto que,  no solo, na “Faixa de Gaza”, crianças, homens e mulheres têm seus corpos plantados em disputas  pela “Terra Prometida” – o que nascerá deste conflito (israelenses X palestinos)  onde a fé de um,  pode ser silenciada pela forças das armas do outro? Que Deus pode ser melhor do que outro, enquanto seus filhos, já não se veem nem como semelhantes? Que Céu pode ser melhor do que a Terra, enquanto,  o Inferno é plantado  com Sangue e Suor das mesmas faces que acreditam serem semelhantes a dos seus Deuses?


A propósito, eu tenho pensado o seguinte, se os deuses não se cansam de enviar “seus filhos” rumo às terras prometidas; terras estas que ao invés de leite e de mel, vertem sangue; o sangue, inclusive, de muitas crianças que, a despeito de tais promessas são vitimas ainda em condição de “meras sementes”  -, que ao menos os homens se tornem por si mesmos mais cautelosos, para, assim – ouvirem  melhor seus deuses!

Meu deus que a minha fé por ti não me torne tão cego da presença do outro que, assim como eu, tenta se segurar também nalguma coisa!

Em outras palavras, eu respondi assim a um  texto  de um amigo que se referia também a este mesmo assunto:

 “Eh, mano, os deuses são tão humanos, quanto os homens que matam seus semelhantes em nome dos seus  deuses tão famintos por sangue! E continuei dizendo: O difícil, porém, é humanamente amar o outro sem ter que precisar enfrentar a fila dos que vão para o céu!

Bem-aventurados os nus, pois, estes se dão verdadeiramente uns aos outros, com ou sem a “Terra Prometida”!

Um bom domingo para se começar a plantar uma Nova Terra!

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A roda grande passando pela pequena

Gilvaldo Quinzeiro


No imaginário caboclo, desde a fundação de Canudos no sertão da Bahia (1893-1897), onde a seca e a fome fizeram da “fé” a enxada que escavava a solidariedade de um povo sem chão, o mito “da roda grande passando por dentro da pequena” foi sem dúvida nenhuma uma das mais engenhosas invenções da saga de Canudos.

A idéia de que uma “ roda grande passará por dentro de uma pequena,” é simplesmente assustadora e instigadora de uma reflexão. Seria esta passagem correspondente ao fim do mundo? Que roda grande é essa? Quem viverá para presenciar tal profecia?

O fato é que ainda hoje este mito sobrevive no imaginário nordestino, sobretudo no meio rural provocando apreensão e “matuteza”. Canudos ainda resistem?

Pois bem, às vésperas das eleições, o cenário montado, onde cabos eleitorais empunhando bandeiras e distribuindo “santinhos” dos candidatos, chamando atenção do povo - é de uma natureza tal que inspiraria um cordelista a escrever versos numa visão apocalíptica adver…

A FILOSOFIA CABOCLA, RISCAR O CHÃO.

Gilvaldo Quinzeiro

O caboclo quando risca o chão está pensando. Aliás, no caboclês ou no nheengatu se diz matutar. Riscar, pois, o chão com a ponta dos dedos, significa manipular com as mãos o abstrato, ou seja, pensar usando a “cabeça dos dedos”, termo bem apropriado para a filosofia cabocla. Diga-se de passagem, que a “filosofia cabocla” é única que tem explicação para tudo, do contrário o que seria o viver destes homens? “Quem não pode com a” rudia não pega no bote” - diz assertiva cabocla.
Besta é quem pensa que matuto não vive de matutar! Aliás, nas condições enfrentadas pelo caboclo, o pensamento que não corresponde à praticidade, é o mesmo que riscar o chão com o dedo para depois ter o risco apagado pelo vento, o que levou em seguida o caboclo a fazer uso de um graveto para, não obstante as intempéries continuar o seu pensar, isto é, riscando o chão.
Riscar o chão com o graveto em substituição aos dedos, não só significou apenas deixar marcas humanas mais pr…

Metáfora da natureza

A natureza....

quando ouvida no mais profundo do nosso silêncio...

nos dá ouvido

nos enraizando os sentidos... que dialoga quando se dá atenção....

nos fazendo ver além... o belo...