Em tempo de manga verde. A palidez é a dos homens. Uma reflexão sobre o tempo em que não podemos mais envelhecer
Por Gilvaldo Quinzeiro
Neste tempo de infância queimada pela pressa de ser
como seus brinquedos e de velhice maquiada com um tampão da adolescência, o que
nos resta, senão mamar em seios secos!
Ora, na falta
da infância - útero para o qual retornamos, quando o adulto se fere -, quem nos
amparará nas demandas da adolescência que, se não bastasse o seu próprio
aborrecer, agora também se torna “as axilas” dos que não suportam nem um pouco
envelhecer?
Que tempo é este no qual ninguém pode mais
envelhecer? Em que se transformou o corpo, no tempo em que ninguém sai da adolescência?
Eis o tempo de todos os fantasmas. E o pior de todos
estes, é o da infância perdida. É aqui onde se plantam “meninos assassinos”, e
se colhem velhos enforcados pelos suas genitálias.
Neste tempo onde só o novo pode ter face, há no entanto,
um velho querer: o de se tornar velho apenas no tempo em que as vitrines exibem
“Papai Noel”.
Que presente, não?
E assim, o tempo nos arrasta como manga verde,
precocemente para o futuro. O menino já “homem”, não consegue ser mais “menino”;
este quando homem, viverá morrendo de vontade de ser novamente um menino, mas
será tarde demais! ...
Portanto, “o não vivido”, vive para sempre em nós. Não
como “o não vivido”, mas como o que vive em nós a espera de ser vivido. “O não
vivido” nos transforma em gado cujo chifre é a “despalavra” que só se palavrisa
quando, enfim, vivido.
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