Pular para o conteúdo principal

O diacho e o santo: hoje é sexta-feira 13!



Por Gilvaldo Quinzeiro


Sexta-feira  13 é hoje. Já  pensou se fosse ontem naquele jogo de estreia? Ai teria sido ou  “Deus nos acuda” ou o “diacho nos carregue”! Ainda bem que ontem foi mesmo o dia dos namorados!

Mas, hoje é Dia de Santo Antônio! Viva o santo padroeiro das “moças velhas” (ou das velhas moças?)!

Pobre Santo Antônio! No tempo em que casamento era “ pegar ou largar”, não casar, sobretudo,  para as moças, era quase morrer. Morrer de gozação (não do gozo) das outras moças mais sortudas ou “peitudas” para as quais, Santo Antônio tinha lhes dado à bênção!

Casar, hoje, valei-me meu Santo Antônio! São tantas “bandeiras” para tão poucas bênçãos? Ou já são  tantas as bênçãos que só diacho aguenta?
  
 Afinal, o que mudou: o santo? O homem? Deus? Ou o diacho?




Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A roda grande passando pela pequena

Gilvaldo Quinzeiro


No imaginário caboclo, desde a fundação de Canudos no sertão da Bahia (1893-1897), onde a seca e a fome fizeram da “fé” a enxada que escavava a solidariedade de um povo sem chão, o mito “da roda grande passando por dentro da pequena” foi sem dúvida nenhuma uma das mais engenhosas invenções da saga de Canudos.

A idéia de que uma “ roda grande passará por dentro de uma pequena,” é simplesmente assustadora e instigadora de uma reflexão. Seria esta passagem correspondente ao fim do mundo? Que roda grande é essa? Quem viverá para presenciar tal profecia?

O fato é que ainda hoje este mito sobrevive no imaginário nordestino, sobretudo no meio rural provocando apreensão e “matuteza”. Canudos ainda resistem?

Pois bem, às vésperas das eleições, o cenário montado, onde cabos eleitorais empunhando bandeiras e distribuindo “santinhos” dos candidatos, chamando atenção do povo - é de uma natureza tal que inspiraria um cordelista a escrever versos numa visão apocalíptica adver…

A FILOSOFIA CABOCLA, RISCAR O CHÃO.

Gilvaldo Quinzeiro

O caboclo quando risca o chão está pensando. Aliás, no caboclês ou no nheengatu se diz matutar. Riscar, pois, o chão com a ponta dos dedos, significa manipular com as mãos o abstrato, ou seja, pensar usando a “cabeça dos dedos”, termo bem apropriado para a filosofia cabocla. Diga-se de passagem, que a “filosofia cabocla” é única que tem explicação para tudo, do contrário o que seria o viver destes homens? “Quem não pode com a” rudia não pega no bote” - diz assertiva cabocla.
Besta é quem pensa que matuto não vive de matutar! Aliás, nas condições enfrentadas pelo caboclo, o pensamento que não corresponde à praticidade, é o mesmo que riscar o chão com o dedo para depois ter o risco apagado pelo vento, o que levou em seguida o caboclo a fazer uso de um graveto para, não obstante as intempéries continuar o seu pensar, isto é, riscando o chão.
Riscar o chão com o graveto em substituição aos dedos, não só significou apenas deixar marcas humanas mais pr…

Metáfora da natureza

A natureza....

quando ouvida no mais profundo do nosso silêncio...

nos dá ouvido

nos enraizando os sentidos... que dialoga quando se dá atenção....

nos fazendo ver além... o belo...