Pular para o conteúdo principal

O 'bicho' do nosso medo


Por Gilvaldo Quinzeiro



Este texto é uma breve reflexão acerca da nossa luta cotidiana. A luta renhida que nos transforma em tudo, exceto em nós mesmos! Mas o que é o “nós mesmos”? O “nós mesmos” não será apenas uma condição de desejo? O que é o desejo e a quem este habita?

Quanto ao cotidiano, não seria este, o ‘inferno’ de cada um?

Em outras palavras, se pudéssemos explicar didaticamente o nosso cotidiano, seria da seguinte forma:  de um lado, a realidade bruta e esmagadora; do outro, o mundo virtual e seu fascínio enganador. Qual a ponte entre ambos? O sujeito!

O sujeito é, portanto, lugar de travessias!  É aqui onde quem quer que permaneça de pé, leva todas as bordoadas – este é o ‘bicho’!

O ‘barro’ do qual o sujeito é feito, é o mesmo que serve de moldura aos ‘fantasmas’. Isto é, se é um vaso; o outro, é o conteúdo.

O ‘bicho’ que corre atrás de mim sou eu!

Voltando a falar da luta cotidiana e de “nós mesmos”.  Se revermos os noticiários, em especial, os mais recentes, só nas festas de virada de ano – quantas pessoas perderam as cabeças pelas mãos dos seus amantes?  Que ‘diabo’ fez isso?

Não há dúvida, o ‘inferno’ é aqui do lado de dentro da porta, e mais especificamente, dentro de cada um. Fugir dele é se desamparar de si!

Portanto, o sujeito é o ‘bicho’ da sua existência. Procurar este ‘bicho’ em outrem, pode até ser mais cômado, porém, não extirpa o nosso cansaço da fuga, e muito menos, o nosso medo!








Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A roda grande passando pela pequena

Gilvaldo Quinzeiro


No imaginário caboclo, desde a fundação de Canudos no sertão da Bahia (1893-1897), onde a seca e a fome fizeram da “fé” a enxada que escavava a solidariedade de um povo sem chão, o mito “da roda grande passando por dentro da pequena” foi sem dúvida nenhuma uma das mais engenhosas invenções da saga de Canudos.

A idéia de que uma “ roda grande passará por dentro de uma pequena,” é simplesmente assustadora e instigadora de uma reflexão. Seria esta passagem correspondente ao fim do mundo? Que roda grande é essa? Quem viverá para presenciar tal profecia?

O fato é que ainda hoje este mito sobrevive no imaginário nordestino, sobretudo no meio rural provocando apreensão e “matuteza”. Canudos ainda resistem?

Pois bem, às vésperas das eleições, o cenário montado, onde cabos eleitorais empunhando bandeiras e distribuindo “santinhos” dos candidatos, chamando atenção do povo - é de uma natureza tal que inspiraria um cordelista a escrever versos numa visão apocalíptica adver…

A FILOSOFIA CABOCLA, RISCAR O CHÃO.

Gilvaldo Quinzeiro

O caboclo quando risca o chão está pensando. Aliás, no caboclês ou no nheengatu se diz matutar. Riscar, pois, o chão com a ponta dos dedos, significa manipular com as mãos o abstrato, ou seja, pensar usando a “cabeça dos dedos”, termo bem apropriado para a filosofia cabocla. Diga-se de passagem, que a “filosofia cabocla” é única que tem explicação para tudo, do contrário o que seria o viver destes homens? “Quem não pode com a” rudia não pega no bote” - diz assertiva cabocla.
Besta é quem pensa que matuto não vive de matutar! Aliás, nas condições enfrentadas pelo caboclo, o pensamento que não corresponde à praticidade, é o mesmo que riscar o chão com o dedo para depois ter o risco apagado pelo vento, o que levou em seguida o caboclo a fazer uso de um graveto para, não obstante as intempéries continuar o seu pensar, isto é, riscando o chão.
Riscar o chão com o graveto em substituição aos dedos, não só significou apenas deixar marcas humanas mais pr…

Metáfora da natureza

A natureza....

quando ouvida no mais profundo do nosso silêncio...

nos dá ouvido

nos enraizando os sentidos... que dialoga quando se dá atenção....

nos fazendo ver além... o belo...