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O sujeito e o penico


Por Gilvaldo Quinzeiro


Para um sujeito sedento em pleno deserto, um simples gesto de jogar o penico com mijo fora, é recebido na cara como um desperdício!

Agora vai convencer este sujeito de que aquilo não era água!

A vida, meus caros, é um estirão danado de grande! São léguas e léguas a desafiarem o nosso caminhar!  Não se prevenir para as vicissitudes da vida, corre-se o risco de passarmos grande parte do nosso tempo fazendo questão pela merda do outro!

A sociedade em que vivemos, que é voltada para o consumismo e outras coisas que tais, é em certo sentido, a guardiã de todas as merdas acumuladas ao longo de uma geração. É aqui onde a mesquinhez e a hipocrisia assumem condição de escadas:  galga mais quem tiver mais fingimento!

É triste ver o ‘ter’ sobrepondo o ‘ser’. A coisa sobrepondo o sujeito.  A mentira sobrepondo a verdade. Enfim, esta é a realidade.

Ora, meus caros, retornando ao sujeito sedento, como não salivar diante daquele penico?

Pois bem, nesta semana, eu recebi um sujeito um tanto quanto revoltado com as coisas da vida. Ou seja, sedento em pleno deserto, enquanto eu tentava lhe esconder o penico – veja que situação!

Eu falava de uma coisa, e o sujeito já achava que eu estivesse falando mal dele. O sujeito dizia algo, eu já (rezando) para manter o autocontrole.

Que peleja!

No final, tudo terminou bem – eu a esconder o meu penico, e ele a exalar o que eu não poderia aceitar como meu!

Em resumo, em tempo de crise e outras coisas mais, o sujeito e o penico – cara e coroa da mesma moeda.



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