Pular para o conteúdo principal

Puta seria o sapo se não controlasse sua ansiedade pelo mosquito!


Por Gilvaldo Quinzeiro



Se somos ‘espuma’, é sinal de que ainda temos forças para borbulhar! Ou seja, o fundo do poço é o porvir, de sorte que, o afogamento está se dando, mas não foi completamente concluído. Isso sem mencionar que na descida, ainda nos restam preciosos segundos, para enfim, aprendermos com os sapos, como é viver bem a vida toda dentro do precipício!

A vida é um estrondoso borbulhar de possibilidades. O sapo, por exemplo, aproveitou bem as suas! E olhe que a sua principal fonte de alimento, senão a única, são os mosquitos voantes.

Qual o ganho de uma bolha de sabão ao se lamentar da sua mingua existência? Que profundidade ganharia o copo, caso resolvesse este fazer uma ‘tempestade’ a cada   água perdida num gole?

As vezes estamos presos aos gigantescos redemoinhos cuja fonte é o ar que alimenta a nossa respiração ansiosa.

O que uma situação como esta nos ensina?  A resposta é simples: se fomos capazes de fazer o mais difícil, isto é, criar um redemoinho, mesmo sem ter ‘conhecimento’ da sua fórmula – como não se desvencilhar dele, agora que tomamos consciência?

A ansiedade, esta sim, é “filha de uma falsa puta” – da puta coitada que sofre por não ‘comer’, e muito menos ser ‘comida’ por ninguém!

Vivem melhor os sapos que mesmo no fundo do poço ainda assim, fazem espumas!

Vivem melhor as espumas que   flutuam acima do borbulhar dos sapos!

E você que conseguiu ir comigo lá no fundo desta leitura, sem se agarrar em nada, apesar de sapo não ser, e desejar com toda a sua força se atirar ao “fundo poço” – saberia aproveitar-se da condição de ‘puta’   de um mosquito?










Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A roda grande passando pela pequena

Gilvaldo Quinzeiro


No imaginário caboclo, desde a fundação de Canudos no sertão da Bahia (1893-1897), onde a seca e a fome fizeram da “fé” a enxada que escavava a solidariedade de um povo sem chão, o mito “da roda grande passando por dentro da pequena” foi sem dúvida nenhuma uma das mais engenhosas invenções da saga de Canudos.

A idéia de que uma “ roda grande passará por dentro de uma pequena,” é simplesmente assustadora e instigadora de uma reflexão. Seria esta passagem correspondente ao fim do mundo? Que roda grande é essa? Quem viverá para presenciar tal profecia?

O fato é que ainda hoje este mito sobrevive no imaginário nordestino, sobretudo no meio rural provocando apreensão e “matuteza”. Canudos ainda resistem?

Pois bem, às vésperas das eleições, o cenário montado, onde cabos eleitorais empunhando bandeiras e distribuindo “santinhos” dos candidatos, chamando atenção do povo - é de uma natureza tal que inspiraria um cordelista a escrever versos numa visão apocalíptica adver…

A FILOSOFIA CABOCLA, RISCAR O CHÃO.

Gilvaldo Quinzeiro

O caboclo quando risca o chão está pensando. Aliás, no caboclês ou no nheengatu se diz matutar. Riscar, pois, o chão com a ponta dos dedos, significa manipular com as mãos o abstrato, ou seja, pensar usando a “cabeça dos dedos”, termo bem apropriado para a filosofia cabocla. Diga-se de passagem, que a “filosofia cabocla” é única que tem explicação para tudo, do contrário o que seria o viver destes homens? “Quem não pode com a” rudia não pega no bote” - diz assertiva cabocla.
Besta é quem pensa que matuto não vive de matutar! Aliás, nas condições enfrentadas pelo caboclo, o pensamento que não corresponde à praticidade, é o mesmo que riscar o chão com o dedo para depois ter o risco apagado pelo vento, o que levou em seguida o caboclo a fazer uso de um graveto para, não obstante as intempéries continuar o seu pensar, isto é, riscando o chão.
Riscar o chão com o graveto em substituição aos dedos, não só significou apenas deixar marcas humanas mais pr…

Metáfora da natureza

A natureza....

quando ouvida no mais profundo do nosso silêncio...

nos dá ouvido

nos enraizando os sentidos... que dialoga quando se dá atenção....

nos fazendo ver além... o belo...