A dança do atual contexto político: vamos cair neste baile?
Por Gilvaldo Quinzeiro
O tempo histórico é uma mistura de dança de sapateado com a do ventre. Às vezes pensamos já estar fora do “baile’,
quando, na verdade, estamos é sapateando no mesmo lugar, e em estado de êxtase, diga-se de passagem.
Só mais um detalhe a respeito desta dança do tempo
histórico: a “verdade” que é a sua trilha
sonora , é contextual, e assim sendo, só é verdade a quem tem o interesse de
torná-la o ritmo dançante.
Que ritmo o atual contexto político brasileiro nos
convida a dançar? Eis a questão.
Este texto foi inspirado numa fala do professor de Ética e Filosofia da UNICAMP, Roberto
Romano concedida ao programa “Entre Aspa”
da Globo New esta semana cujo tema era “o
papel da oposição no segundo mandato de Dilma Rousseff”.
Chamou-me atenção entre outras coisas na fala de Romano,
a sua visão de que tanto o PT como PSDB, “precisam se unir em defesa do estado
de direito”. Outro detalhe interessante citado pelo professor Roberto Romano é
a notícia divulgada no Jornal Zero Hora, dando conta de que só em “Porto Alegre
há cerca de 100 mil neonazistas”.
Pois bem, a fala de Romano vai em direção ao que eu já
venho chamando atenção há vários dias, especialmente no que se refere “a marcha do Brasil sobre cacos
de vidros” depois do processo eleitoral.
Na verdade, o atual contexto com suas “fissuras e feridas”
é o desdobramento das manifestações de rua que ocorreram no ano passado, quando
da realização da Copa das Confederações. O que se ver agora, no entanto, é de
fato o cair daquelas “máscaras”.
A respeito das citadas manifestações eu escrevi, assim
que estas surgiram algo mais ou menos assim: “nem tudo que corre para o mar é
do rio”. Ao escrever esta frase eu
queria dizer que, nem todo o clamor das ruas era de fato “em defesa da
democracia ou de mudanças que viessem atender aos interesses reais do povo
brasileiro”.
Portanto, ouço vindo ainda ao longe um som dissonante, mas que parece
animar algum “baile”. Não é sapateado.
Nem a dança do ventre. È um ritmo
dado como já soterrado. Porém, pelas algazarras, este, parece estar bem vivo, e disposto a colocar o país à bailar!
Comentários
Postar um comentário