Pular para o conteúdo principal

Deus está morto?


Por Gilvaldo Quinzeiro

 

Deus está morto? Não. Mas a intolerância que nos domina dar  vida aos nossos demônios adormecidos!  O perigo, portanto, não está nas cercanias, e sim, dentro da gente! Somos aquilo no qual podemos nos transformar, ainda que momentaneamente. E se repararmos bem, nunca o nosso estado de espírito foi tão volátil como nos dias hoje.

Há muitas portas dentro de nós. Algumas fechadas o tempo todo. Outras que estão sempre escancaradas. Quem afinal entra e sai por elas?

Não há demônio mais poderoso e tentador do que aquele que nasce dentro de nós, quando já não suportamos conviver com a fé do outro. Ou seja, quando a intolerância se aproveita  de “nosso céu já alcançado”!

Neste momento, há uma luta renhida sendo travada não entre Deus e o Diabo, é bom que se diga, e sim, entre as igrejas e as religiões. Em disputa: o plano terreno. O mesmo onde se compete  quem erguerá um templo maior  do que o outro.

Desse modo, Deus está tão vivo, tanto quanto os nossos  reais interesses de lutar por aquilo que nos aviltamos!

Portanto, podemos até nos colocar no lugar dos nossos “deuses feridos”, mas as nossas dores por eles, em nada mudam os seus  status. A religião pode até nos encurtar os caminhos, entretanto,  “segurar na mão de Deus” ainda está longe demais(?).

Por fim, eu aproveito o ensejo para repetir uma frase de Ricardo Lewandowski, Presidente do STF (Supremo Tribunal Federal): “nenhum magistrado é Deus”!

 

 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A roda grande passando pela pequena

Gilvaldo Quinzeiro


No imaginário caboclo, desde a fundação de Canudos no sertão da Bahia (1893-1897), onde a seca e a fome fizeram da “fé” a enxada que escavava a solidariedade de um povo sem chão, o mito “da roda grande passando por dentro da pequena” foi sem dúvida nenhuma uma das mais engenhosas invenções da saga de Canudos.

A idéia de que uma “ roda grande passará por dentro de uma pequena,” é simplesmente assustadora e instigadora de uma reflexão. Seria esta passagem correspondente ao fim do mundo? Que roda grande é essa? Quem viverá para presenciar tal profecia?

O fato é que ainda hoje este mito sobrevive no imaginário nordestino, sobretudo no meio rural provocando apreensão e “matuteza”. Canudos ainda resistem?

Pois bem, às vésperas das eleições, o cenário montado, onde cabos eleitorais empunhando bandeiras e distribuindo “santinhos” dos candidatos, chamando atenção do povo - é de uma natureza tal que inspiraria um cordelista a escrever versos numa visão apocalíptica adver…

A FILOSOFIA CABOCLA, RISCAR O CHÃO.

Gilvaldo Quinzeiro

O caboclo quando risca o chão está pensando. Aliás, no caboclês ou no nheengatu se diz matutar. Riscar, pois, o chão com a ponta dos dedos, significa manipular com as mãos o abstrato, ou seja, pensar usando a “cabeça dos dedos”, termo bem apropriado para a filosofia cabocla. Diga-se de passagem, que a “filosofia cabocla” é única que tem explicação para tudo, do contrário o que seria o viver destes homens? “Quem não pode com a” rudia não pega no bote” - diz assertiva cabocla.
Besta é quem pensa que matuto não vive de matutar! Aliás, nas condições enfrentadas pelo caboclo, o pensamento que não corresponde à praticidade, é o mesmo que riscar o chão com o dedo para depois ter o risco apagado pelo vento, o que levou em seguida o caboclo a fazer uso de um graveto para, não obstante as intempéries continuar o seu pensar, isto é, riscando o chão.
Riscar o chão com o graveto em substituição aos dedos, não só significou apenas deixar marcas humanas mais pr…

Metáfora da natureza

A natureza....

quando ouvida no mais profundo do nosso silêncio...

nos dá ouvido

nos enraizando os sentidos... que dialoga quando se dá atenção....

nos fazendo ver além... o belo...